11° capitulo Das obras no Engenho ao atracadouro. Do final da obra a plantação da cana.
O padre Enéas Jácome era um brincalhão, gozador, de bem com a
vida, supersimpático, tudo que ele não queria é voltar para Salvador, para
aquele cartório do Santo Oficio, estava adorando viver ali no novíssimo Engenho
do Graveto, em meio ao povo simples e sem frescura, a animália, e ao ar livre.
Fez o que pode e o que não pode para atrasar as obras da
capela.
A capela-igreja de São Manuel
Não gostou das dimensões, não gostou da fachada, não gostou
do altar, para completar havia um entalhador de nome Antônio de Lisboa em meio
aos mestres contratados por Bernardo Catarino, e juntos combinaram criar um
luxuoso Retábulo, painéis laterais que cobririam as paredes da Capela, fora uma
pintura de teto que ficaria por conta de João Gomes Batista, desenhista e
pintor que na Bahia trabalhava com o mestre Lisboa na recuperação e pinturas de
igrejas e capelas, ambos esperando a construção da nova Sé.
Tudo isso para demorar bem a entrega da capela, que era para
ser uma simples capelinha, mas que virou uma igreja.
As outras obras iam em frente, e a da “igreja” estava virando
as obras de Santa Engrácia, ou seja, “aquilo que não tem fim”.
Manuel gostava do padre e nada dizia, bem como os outros,
principalmente mestre Catarino que tinha com ele uma paciência de Jó.
A Casa Grande
O mestre Bernardo Catarino queria renovar a concepção de
engenho e conhecedor das necessidades verdadeira de seu amigo, resolveu assim
distribuir as construções:
1- Numa elevação de
terreno que não chegava a ser um outeiro, construiu a Casa Grande;
2- No lado direito
dela a capela, agora uma Igreja, com acomodações espaçosas para o padre;
3- Diante da Igreja a
cavalariça, a muleria, e a jegueria, com alojamento para os tratadores;
4- No lado direito da
igreja foi construída a pocilga, o curral de cabras, com alojamento para os tratadores;
5- A seguir casas
para os capatazes/feitores, jagunços, que eram empregados pagos na época da escravidão;
6- Um armazém para as
compras dos empregados;
7- No final dessa
‘vila’ um galpão que abrigava uma cozinha grande e um refeitório, tendo ao lado
alojamento para o pessoal da cozinha;
8- No lado esquerdo
da Casa Grande um grande galpão, dividido em dois espaços, um para
almoxarifado, outro para fins diversos, mas que em caso de necessidade bem
poderia ser deposito de escravos;
9- Diante dele a
super - senzala espaçosa;
10- Por trás da Casa
Grande o Engenho propriamente dito, a Moenda. Tendo em frente um galpão de
menores proporções.
E, também, por trás da Casa Grande, desse complexo todo, o
canavial.
A Senzala
O Armazém
O Galpãozão
O detalhe é que da Praia da Jachinta até a senzala e ao
galpãozão era uma reta, e ninguém do outro lado do complexo podia ver o
movimento feito nesse caminho.
Nenhum escravo faria o serviço na cavalariça, na muleria, na
jegueria, na pocilga, no curral de cabras, ou como capatazes/feitores e
jagunços, a não ser que fosse liberto, para eles o serviço era só no canavial
ou na Casa Grande.
O porquê disso, desses empregados pagos e suas instalações, é
que Lucas alertou a Manuel que a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a
sócia majoritária, poderia mandar algumas pessoas para tais serviços, pessoas
essas que de algum modo a WIC que proteger.
Mestre Catarino separou um grupo de escravos e um feitor de
sua total confiança e mandou que eles construíssem o atracadouro.
Mestre Bernardo Catarino, uma negociante em ascensão, alugou
para o Engenho do Graveto alguns escravos, que foram colocados à disposição de
Pernambuco, que contava ainda com seus cabras, agora promovidos a feitores do
Engenho, e com os escravos que conheciam do plantio da cana, escravos estes que
ele comprou para Manuel no mesmo local que adquirido as mudas, no Cabo, em
Pernambuco.
E assim começou o trabalho na lavoura de cana do Engenho do
Graveto a todo vapor.
E as obras foram concluídas...
Foi dura a despedida.
Um longo abraço foi trocado entre mestre Bernardo Catarino e
Manuel Leite de Cucujães.
Bem como entre o mestre e Mateus, Lucas, Marcos e João.
Até o capitão da Guarda da Igreja Gonçalo Tenreiro ficou
comovido.
Padre Enéas Jácome de todos se despedia com certa alegria,
pois ia ficar até o termino da Igreja, que ele transformou nas “obras de Santa
Engrácia”.
Pernambuco, também, recebeu seu abraço, e la foram os que
trabalharam nas obras do Engenho do Graveto, da mesma forma que vieram, numa
Caravana que “na realidade parecia um circo em deslocamento” com destino a
Salvador da Bahia.
Mestre Bernardo Catarino comovidíssimo não olhou para trás,
aliás ninguém olhou para trás.
E a vida continuou até...





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