1° capítulo Cabral, o de Pouca Sorte
Em
22 de abril de 1500, a frota de dez naus, três caravelas e uma naveta de
mantimento, com 1.500 homens a bordo, comandada por Pedro Álvares Cabral,
Capitão-mor de expedição portuguesa a caminho das Índias, chegou ao território
onde hoje se localiza o Brasil, mas precisamente ao litoral sul da Bahia.
Isso
qualquer criança brasileira sabe que ele descobriu o Brasil, mas saber quem era
esse Cabral muito pouca gente sabe.
Não
se conhecem as verdadeiras origens da família Cabral, embora seja muito
plausível que constitua um ramo da antiga linhagem dos «de Baião». Quanto ao
apelido adoptado, é verosímil que seja derivado de alcunha, nascida das armas
usadas.
É
possível traçar-se documentalmente desta família a partir de Dom Gil Cabral,
Bispo da Guarda, por seu filho Álvaro Gil Cabral (* c. 1335 - † 13850, 1º
senhor de Azurara, Alcaide-mor da Guarda (22.7.1383.)
Foi
Álvaro Gil um antepassado de Pedro Álvares Cabral, o navegador e descobridor do
Brasil.
São
suas armas: de prata, duas cabras de púrpura sotopostas. Timbre: uma das cabras
do escudo.
Creio
eu que Azurara seja a atualmente uma freguesia portuguesa do concelho de Vila
do Conde que “recebeu foral do conde D. Henrique (confirmado por D. Afonso)
ainda em 1102. Permaneceu um importante porto marítimo e a produção de
embarcações nos seus estaleiros contribuiu para os descobrimentos portugueses.
No entanto, apesar de local estratégico não teve foral manuelino. Mas com a
passagem de Dom Manuel por estas terras, a caminho de Santiago de Compostela,
levou a que a construção da Igreja de Santa Maria de Azurara (Monumento
Nacional (Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910) tivesse forte
impulso, no seu adro encontra-se o Pelourinho de Azurara.
O
senhorio de Azurara foi transmitido de pai para filho, linha de descendência
primogénita e varonil, a saber:
1- Senhor de
Azurara: Álvaro Gil Cabral, * c. 1335, Alcaide-mór
da Guarda (22.7.1383), casou com Anes de Loureiro, e foram pais de:
2- Senhor de
Azurara: Luis Álvares Cabral, * c. 1375, 1º alcaide de Belmonte, 1º morgado de
Belmonte, Vedor da Casa do Infante D. Henrique, e seu Guarda-mor, casou em
primeiras núpcias com Constança Anes de Almeida, e foram pais de:
3- Senhor de
Azurara: Fernando Álvares Cabral, * c. 1394, 2º alcaide de Belmonte, 2º morgado
de Belmonte, Guarda-mor do Infante D. Henrique, casou com Teresa Freire de
Andrade, e foram pais de:
a. senhor de Azurara: Fernão Cabral, * c. 1427,
Adiantado da Beira (1464), 3º alcaide de Belmonte, 1º alcaide-mor de Belmonte
(1466), casou com Isabel de Gouveia de Queirós, e foram pais de:
4- Senhor de
Azurara João Fernandes Cabral, * c. 1460, Fidalgo da Casa Real, alcaide-mor de
Belmonte de juro e herdade e senhor dos direitos reais desta vila (17.6.1496 e
19.6.1496), 4º morgado de Belmonte, senhor de Azurara da Beira (hoje
Mangualde), Manteigas, Moimenta da Serra e quinta de Stº André (19.7.1500),
casou com D. Joana Coutinho, filha de Dom Rodrigo de Castro, o de Monsanto,
senhor de Valhelhas e Almendra;
a. Pedro Alvares Cabral, O Descobridor.
b. Entre outros.
Os
almanaques da Nobreza afirmam que um sobrinho direito de Pedro Álvares Cabral,
o fidalgo Jorge Dias Cabral concedeu o Imperador Carlos V novas armas, em
recompensa dos seus serviços militares prestados durante a guerra da Flandres.
São suas armas: de vermelho, quatro lanças de ouro, hasteadas do mesmo e
dispostas em pala, acompanhadas em chefe por uma espada de prata, posta em
faixa. Bordadura cosida de verde, carregada de quatro manoplas e coxotes de
parta, acantonados, e de quatro adagas de prata, guarnecidas de negro, postas
no alto e nos flancos. Timbre: pescoço e cabeça de cavalo de prata, freado de
vermelho, quatro vezes ferido do mesmo e cuspindo sangue pela boca.
Coxote
- Parte da armadura antiga que revestia as coxas.
Estabelecida
a nobreza vamos ao nosso Cabral.
Pedro
Álvares Cabral
*
Belmonte, Belmonte, c. 1468
†
Santarém, Santarém, c. 1520
Pais:
Fernão
Cabral, 4º senhor de Azurara * c. 1427
Isabel
de Gouveia de Queirós * c. 1433
Casamentos
– 1503:
Dona
Isabel, de Castro * c. 1470
Filhos:
Fernando
Álvares Cabral, comendador do Banho * c. 1503, que casou com Dona Margarida da
Silva;
António
Cabral * c. 1504;
Constança
de Castro, que casou com Nuno Furtado de Mendonça, comendador de Cardiga;
Guiomar
de Castro;
Isabel
de Castro;
Leonor
de Castro.
Notas
biográficas: Descobridor do Brasil.
Cronologia:
09.03.1500:
A frota comandada pelo português Pedro Álvares Cabral sai de Lisboa rumo a
Calcutá, vindo a descobrir o Brasil.
22.04.1500:
Foi oficialmente descoberto o Brasil por Pedro Álvares Cabral.
01.05.1500
Pero Vaz de Caminha anuncia o feito da frota de Pedro Álvares Cabral, que
descobriu o Brasil em 22 de abril, ao rei D. Manuel, através de uma carta
datada de 1 de maio. O documento notabiliza-se como o mais importante relativo
à descoberta do Brasil, pela riqueza de detalhes.
02.05.1500
A esquadra de Cabral parte da baía de Cabrália (Brasil) continuando a sua
viagem para as Índias. A nau comandada por Gaspar de Lemos regressa a Portugal
trazendo a notícia do descobrimento da nova terra.
13.07.1501
A expedição marítima de Álvares Cabral regressa a Lisboa, após a descoberta do
Brasil e da visita à Índia.
Fontes:
Nobiliário
das Famílias de Portugal - vol. IX - pg. 37 ((Queirós)) – de Felgueiras Gayo,
Carvalhos de Basto, Edição: 2, Braga 1989.
Subsídios
para uma Biografia de Pedro Álvares Cabral - pg. 258 – de Luís de Mello Vaz de
Sampaio, Universidade de Coimbra, Edição: 1, Coimbra 1971.
E
mais:
“A
família Cabral ganhou destaque durante o século XIV. Álvaro Gil Cabral (trisavô
de Cabral e um comandante militar de fronteira), foi um dos poucos nobres
portugueses a permanecer fiel ao Rei Dom João I durante a guerra contra o Rei
de Castela. Como recompensa, Dom João I presenteou Álvaro Gil com a propriedade
do feudo hereditário de Belmonte”.
Foi
um dos cinco filhos e seis filhas de Fernão Cabral, Fidalgo do conselho, 1 º
regedor das justiças da Beira (1464), adiantado-mor da Beira (1464), Coudel-mor
do Reino, alcaide-mor de Belmonte, senhor de juro e herdade de Belmonte, de
Azurara da Beira e de Manteigas, e de Dona Isabel Gouveia, filha de João,
senhor de Gouveia.
Coudel
é o titulo dos antigos capitães de cavalaria
Foi
batizado como Pedro Álvares de Gouveia e, só anos mais tarde, após a morte de
seu irmão mais velho em 1503, começou a usar o sobrenome do pai, o Cabral.
“Sabe-se
que foi criado como todo membro da nobreza portuguesa”.
“Que
em 1479, com 12 anos, foi enviado à Corte de El-Rey Dom Afonso V”.
“Que
na Corte foi educado em humanidades e treinado para lutar e pegar em armas”.
“Em 30 junho de 1484, com 17 anos de idade foi
nomeado Moço Fidalgo, um título concedido a jovens nobres, por Dom João II,
décimo-terceiro Rei de Portugal, cognominado O Príncipe Perfeito pela forma
como exerceu o poder”.
“Dom
Manuel I concedeu-lhe em 30 de junho de 1484 o título de Fidalgo do Conselho do
Rei, em 12 de abril de 1497 o fez Cavaleiro da Ordem de Cristo, e deu-lhe mais
um subsídio anual no valor de 30 mil reais”.
“Parece
que essa condição de Fidalgo do Conselho do Rei lhe foi retirada, e foi por
isso que ele abandonou a Corte, sendo que posteriormente a Honra de pertencer
ao Conselho do Rei lhe foi devolvida por El-Rey, mas agora não mais como
Fidalgo e sim como Cavaleiro do Conselho do Rei, uma posição superior à
anterior”.
“Sabe-se
que depois de ter se afastado da Corte, Cabral estava presente numa cerimônia
importante da Ordem de Cristo presidida por Dom Manuel I que o ignorou”.
“Não
há nenhuma imagem ou descrição física detalhada de Cabral contemporâneas à sua
época. Sabe-se que era forte e igualava seu pai em altura, isso é, 1metro e 90
centímetros”.
“Quanto
ao caráter, Cabral tem sido descrito como culto, cortês, prudente, generoso,
tolerante com os inimigos, humilde, mas também vaidoso e muito preocupado com o
respeito que sentia que sua nobreza e posição exigiam”, só esqueceram de dizer
que ele era azarado, um azarado de marca maior.
Isso
posto, continuemos.
“Os
marujos avistaram algas-marinhas no dia 21 de abril, o que os levou a acreditar
que estavam próximos da costa. Provou-se estarem certos na tarde do dia
seguinte, quarta-feira, 22 de abril de 1500, quando a frota ancorou perto do
que Cabral batizou de Monte Pascoal (uma vez que aquela era a semana da
Páscoa)”.
O
Monte Pascoal está localizado próximo ao município de Itamaraju, no estado da
Bahia.
“No
dia 23 de abril. Cabral pisou na terra e trocou presentes com os indígenas”, os
indígenas que ao miscigenar com os brancos e os negros africanos deram origem
ao bravo povo da Bahia, os baianos.
“Em
24 de abril abortaram num porto natural, que Cabral denominou de Porto Seguro”,
a hoje famosíssima localidade de Porto Seguro situada no sul do estado da
Bahia, lugar de veraneio tão ao gosto dos paulistas e mineiros.
“Em
26 de abril, domingo de Páscoa, Cabral ordenou aos seus homens a construção de
um altar em terra, onde uma missa católica foi celebrada por Frei Henrique de
Coimbra — a primeira a sê-lo no solo brasileiro”, assim logo de início a Santa
Madre Igreja Católica Apostólica Romana arribou no Brasil.
“Para
solenizar a reivindicação de Portugal sobre aquelas terras, Cabral ordenou a
construção de uma Cruz – dizem de 7 metros de altura- e uma segunda missa foi celebrada em 1 de
maio, para comemorar não só a posse da Terra em nome de El-Rey de Portugal,
como, também, honra à Cru”.
“E
foi por isso que Cabral nomeou a terra recém-descoberta de Ilha de Vera Cruz”.
E
aqui começa a patifaria, na Bahia, e no Brasil:
“No
dia seguinte, um navio de suprimentos retornou para Portugal para informar a
El-Rey Dom Manoel I da descoberta, por meio da carta escrita por Pero Vaz de
Caminha”, e nessa famosa carta está escrito:
"Ali
veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos
corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre
eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre
elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida
daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os
joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas
tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso
desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo
de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de
tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.
Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na
mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um
carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo
dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.
Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos
passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa,
logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca;
não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma
albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as
bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez
sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e
depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e
novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por
aquilo.
E,
pois, que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra
qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito
bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de
São Tomé a Jorge de Osório, meu genro—o que d'Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz,
hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500."
Pero
Vaz de Caminha
Ora,
ora, o “seu” Caminha aproveita a Carta a El-Rey Dom Manuel para introduzir na
Bahia, no Brasil, o famoso “pistolão”, pois “apelou a Dom Manuel para que
libertasse do cárcere o seu genro, casado com sua filha Isabel, preso por
assalto e agressão”, aproveitando-se de um comunicado oficial do Capitão-mor de
expedição portuguesa a caminho das Índias, Pedro Alvares Cabral.
É
patifaria ou, não é?
Claro
que é.
Lembremos
que pistolão quer dizer “pessoa influente que intervém em favor de outra”, e
naquela Frota Pero Vaz de Caminha era uma pessoa importante, pois além de
contar com a afeição de El-Rey, tinha sido nomeado para “escrivão da feitoria a
ser erguida em Calicute, na Índia, razão pela qual se encontrava na nau
capitânia da armada de Pedro Álvares Cabral”.
Ora,
ora, pois, pois.
O
nosso Cabral não era lá um homem de sorte, já que rumando para a África, em
pleno Atlântico Sul, naufragaram três naus, uma caravela, e 380 homens, “os
navios restantes, prejudicados pelo mau tempo e com seus aparelhos danificados,
separaram-se. Uma nau navegou sozinha e o restante aportou em algum lugar no
arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas, ao largo da África oriental e ao
norte de Sofala, para depois de 10 dias zarpar rumo a Kilwa oi Quíloa onde o
Capitão-mor tentou fazer um tratado com o Soberano local, mas não teve êxito”.
Mais,
a coisa não para aí:
Em
seu curriculum temos a desastrosa viagem a Calicute.
A
Frota Cabralina chegou a Calicute 13 de setembro de 1500.
Calicute
era uma cidade na costa ocidental da Índia, “dirigida pela dinastia dos
samorins, deformação portuguesa de Samutiri, o "grande senhor do
mar", e seu porto era o mais importante da costa do Malabar, onde os
árabes e os chineses cambiavam suas fazendas contra a produção local”.
Cabral
havia levando uma Carta de El-Rey para o Soberano de Calicute, e nela Dom
Manuel I pedia a exclusão dos comerciantes árabes das relações comerciais da
Cidade-Estado, o que era uma grande de uma patifaria, afinal os mulçumanos
estavam ali a muito mais tempo exercendo o seu direto de comercializar
livremente.
E
essa patifaria não ficaria sem resposta como veremos.
A
princípio o nosso Cabral teve sucesso junto ao Soberano local, “e obteve
autorização para instalar uma feitoria e um armazém na cidade-estado”, mas como
era um azarado sua sorte logo mudou e a feitoria sofreu um ataque de surpresa
por parte dos árabes muçulmanos, revoltado com a exigência do Soberano de
Portugal de exclui-los do comércio local, e seus aliados hindus.
Apesar
da defesa desesperada, mais de 50 portugueses foram mortos, entre eles o
escrivão Pero Vaz de Caminha.
Os
restantes se refugiaram nos navios, onde Cabral esperou por “24 horas para
obter uma explicação do governante de Calicute, mas nenhum pedido de desculpas
foi apresentado”.
Não
teve dúvida, “atacaram 10 navios mercantes dos árabes ancorados no porto
matando cerca de 600 tripulantes e confiscaram o carregamento antes de
incendiar os navios”.
E
o mais importante, “Cabral ordenou que seus navios bombardeassem Calicute por
um dia inteiro em represália à violação do acordo”, e esse feito trará serias
consequências na vida de nosso Descobridor depois de sua volta para Portugal.
Entretanto,
apesar do fracasso em Calicute, Cabral conseguiu as boas graças e um tratado
comercial com o governante de Cochim, a "Rainha do Mar Arábico", uma
cidade vassala de Calicute, mas cujos habitantes estavam doidos para se
livrarem dessa condição.
Graças
a essa Tratado foi estabelecida uma Feitoria.
Foi
de Cochim que a Frota partiu carregada de preciosas especiais para Cananor.
Cananor
era outra cidade portuária que se dedicava ao comércio com a Pérsia e Arábia.
A
Frota partiu de Cananor em 16 de janeiro de 1501, mais abastecida de
preciosidades, com destino a Santa Terrinha, o nosso querido Portugal.
Todavia,
o azar de Cabral viajou novamente com ele.
Um
dos navios encalhou em um banco de areia, começou a afundar, a sendo
incendiado, e como não havia espaço nas outras naves a carga abandonada.
“Em
22 de maio, a frota — agora reduzida a apenas dois navios — passou pelo Cabo da
Boa Esperança”.
“Cabral
chegou a Portugal em 21 de julho de 1501, com os outros navios que foram
encontrados chegando durante os dias seguintes. Ao todo, dois navios voltaram
vazios, cinco estavam completamente carregados e seis foram perdidos, contudo
as cargas transportadas pela frota geraram lucros de até 800% para a Coroa
Portuguesa”.
El-Rey
e seus investidores não tinham do que se queixar.
Foi
então organizada uma nova Frota, a "Frota da Vingança", mas Cabral
não foi nomeado seu Capitão-mor por intriga de Vasco da Gama e seu parente,
Vicente Sodré, um navegador e primeiro Capitão-mor do mar da Índia.
“Sabe-se,
no entanto, que surgiu hostilidade entre as facções que apoiavam Vasco da Gama
e Cabral, e Dom Manuel I ficou muito irritado com a briga, a tal ponto que
simplesmente mencionar o assunto em sua presença poderia resultar no banimento
da corte”.
“Com
da perda dos favores do Dom Manuel I, em algum momento, Cabral deixou a Corte
permanentemente”.
“Afonso
de Albuquerque tentou interceder a favor de Cabral e, em 2 de dezembro de 1514,
pediu para D. Manuel I perdoá-lo e permitir seu retorno à corte, mas não obteve
êxito”.
“Cabral,
sofrendo de febre recorrente e um tremor (possivelmente resultado de malária)
desde sua viagem, se retirou para Santarém em 1509, em 1518 foi elevado de
Fidalgo a Cavaleiro no Conselho do Rei, tendo direito a um subsídio mensal de 2
437 reais, morrendo de causas não especificadas, provavelmente em 1520, sendo
enterrado no interior da Capela de São João Evangelista na Igreja do Antigo
Convento da Graça de Santarém”.
“Séculos
depois uma turma afirma que Cabral não foi o Descobridor do Brasil e sim os
espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe, que teriam viajado ao longo da
costa norte do Brasil entre janeiro e março de 1500”.
Um
grande de uma patifaria dessa turma, já que “os historiadores Capistrano de
Abreu, Francisco Adolfo de Varnhagen (Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde
de Porto Seguro), Mário Barata e Hélio Vianna, concordam que as expedições
espanholas não influenciaram em nada o desenvolvimento do que viria a ser a
única nação de língua portuguesa das Américas — com história, cultura e
sociedade únicas, diferenciando-a das sociedades hispano-americanas que dominam
o resto do continente”.
Mais
por se tratar de Pedro Alvares Cabral, um azarado de marca maior, qualquer
patifaria em relação a ser ele ou não o Descobridor do Brasil ainda pode
aparecer.
E assim nasceu o Brasil do pistolão e da boquinha
.
Comentários
Postar um comentário